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17/03/2011

13 curiosidades sobre a culinária francesa

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1. “Escargot aux fines herbs” é apenas um caramujo coberto com matinho, mas não diga isso a um francês.

2. Francês é o nativo da França, país localizado no continente europeu, espremido entre o Canal da Mancha e o Mediterrâneo, o Rio Reno e o Atlântico.

Os franceses são metidos a besta em quase tudo: filosofia, cinema, literatura e gastronomia. Mas eles podem. Afinal, a primeira-dama do país é a Carla Bruni. Se o seu país tivesse uma primeira-dama assim, você também seria metido.

3. Já o escargot foi o que salvou a vida da Resistência francesa (Marcel Marceau, Brigitte Bardot e Jean-Luc Godard), que se refugiou em uma casinha ensolarada da Campagne e ficou lá, resistindo bravamente, enquanto os alemães deitavam e rolavam em Paris nos anos 40 do século passado. Francês, quando não faz linha Maginot na entrada, faz logo uma Vichy na saída.

4. O camembert é um queijo cremoso da região de Camembert. Já o brie é um queijo macio da região de Brie. Na região da Picardia se faz um queijo maldoso e sarcástico que vai muito bem com o pão que o diabo amassou.

5. A gastronomia francesa se impôs ao mundo graças à musicalidade da língua. O francês, quando corretamente assoprado por uma boca em forma de biquinho, é capaz de provocar ereções até em quem prefere a gula à luxúria. Por exemplo: o misto de presunto e queijo que nós, brasileiros, chamamos de “misto de presunto e queijo”, na França se chama “croque-monsieur”. Très elegant! Mais chique, só o “croque- madame”, que é o mesmo misto de presunto e queijo, só que com um ovo em cima. Francês é um bicho esquisito. Tão esquisito que, lá, quem vem com ovos é madame.

6. O foie gras (diga “fuagrá”) é o fígado gordo de pato ou ganso. Francês, em vez de afogar o ganso, como faz todo o mundo civilizado e, principalmente, o incivilizado, prefere sufocar o ganso com um montão de comida. Assim, o fígado gordo do bicho pode ser grelhado ou transformado em terrine, que é um patê metido a besta. A melhor maneira de comer foie gras é com figos, isto é, fígado com figo. É por isso que pobre não aprecia a iguaria: ele pronuncia tudo como “figo” e acaba se confundindo, arruma encrenca com o garçom e vai dormir na delegacia. Coisa triste.

7. Pobre é uma desgraça em qualquer lugar. Mas pobre com fome é um perigo. Em 1789, uma sugestão gastronômica da rainha Maria Antonieta, mulher de Luís XVI, acabou apressando a Revolução Francesa. Quando a população se reunia na frente do palácio gritando “Pão! Pão! Queremos pão!”, a rainha respondeu: “Ora, não tem pão? Comam brioches!” Brioche é um pão mais fofo, parecido com o panetone, mas sem frutas secas. Maria Antonieta desejava apenas aprimorar o paladar das massas, mas foi mal interpretada, coitada. Os populares entenderam “brioco”, ficaram ofendidíssimos e guilhotinaram metade do país. Ô, raça!

8. Depois que os revolucionários cortaram a cabeça de todos os nobres da França, eles começaram a cortar a cabeça uns dos outros. Revolução geralmente dá nisso. Maximilien François Marie Isidore de Robespierre, mais conhecido como Marie Isidore, detestava ser chamado de Marie Isidore. Revoltado, ele se tornou o principal líder da revolução e também o presidente do Comitê de Salvação Pública, que era uma espécie de antessala da decapitação. Chamou de “Marie Isidore”? Passa a faca! Robespierre se esmerou na tarefa e decepou a cabeça de colegas revolucionários como Danton, Marat, Marcel Marceau, Brigitte Bardot e Jean-Luc Godard. Para complicar ainda mais a coisa, Marie Isi, digo, Robespierre cismou de rebatizar os meses do ano: em vez de janeiro, “pluvioso”; em vez de março, “germinal”; em vez de julho, “termidor”. E por aí vai. O mês termidor serviu para batizar a lagosta ao termidor, que é lagosta cozida com creme de manteiga e mostarda. O crustáceo só podia ser servido nesse mês. O garçom desobediente era imediatamente preso e guilhotinado por Marie Isidore. Digo, Robespierre.

9. A França também é a terra da nouvelle cuisine – que não pode, de maneira nenhuma, ser confundida com nouvelle vague. A primeira busca a delicadeza e a leveza. A segunda tem a Brigitte Bardot pelada. Masa nouvelle cuisine, que começou ali por volta de 1970 e durou até o final dos anos 1980, foi igualmente revolucionária e não cortou a cabeça de ninguém. Funciona assim: em vez de caçarolas gigantes e molhos pesados, porções menores e molhos leves. Tudo disposto de forma agradavelmente harmônica no prato. Se cozinha tivesse gênero, a nouvelle cuisine seria do gênero esquisitona.

10. No entanto, acredite, a nouvelle cuisine pode muito bem ser a solução para a fome no mundo. Bota três feijões, uma folha de alface, uma rodela de tomate, batiza o prato de “Haricot avec Laitue”, e estamos conversados. Os pobres vão achar demais de chique. Com um saco de feijão dá para alimentar meia África e ainda sobra alguma coisa para o Haiti.

11. Apesar da influência da nouvelle cuisine, um dos mais deliciosos pratos franceses é o cassoulet, que não tem nada de nouvelle vague, digo, cuisine. É só pato, linguiça, salsicha, perdiz, cordeiro e porco, tudo cozido com feijão-branco. Ou seja, a coisa é uma espécie de feijoada albina. E é tão gostosa quanto a versão black. Dizem que o prato foi inventado durante a Guerra dos 100 Anos com a Inglaterra, que durou de 1337 a 1453. Pois é, francês não é muito bom de conta.

12. Hoje em dia, na França, a moda é a cuisine du terroir, que, como você brilhantemente deduziu, é uma espécie de “cozinha do terror”, com morcego, olho de sapo e rabo de lagarto. Mas você, ignorante que é, deduziu tudo errado. Cuisine du terroir é simplesmente a cozinha regional, que usa apenas os ingredientes que existem naquela região. Ora, tenham dó! E isso lá é novidade?!?

13. Outra invenção da culinária francesa é o coq au vin (diga “cocovan”), que é galo (“coq”) cozido com vinho. Pega-se um galo, e abre-se a garrafa de vinho. Coloque o galo para cozinhar e comece a beber o vinho. Quando o vinho acabar, abra outra garrafa. Nessa altura o galo já terá queimado. Ligue para o disk pizza e peça uma meia calabresa, meia quatro queijos. Abra mais um vinho.

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